
Nos últimos meses esteve em destaque a negociação da compra dos caças para a Força Aérea Brasileira, com a transferência de tecnologia. O Valor de ontem publicou a notícia do acordo que a Embraer fez com o governo da Colômbia, por meio do qual a empresa brasileira venderá ao país aeronaves Super Tucano em conjunto com um pacote de serviços tecnológicos. É um rito de passagem: o Brasil se torna ofertante em negócios desse tipo, conhecidos internacionalmente como contratos de offset.
A maior parte deles envolve aviação militar. Nesses acordos, uma empresa oferece um determinado produto acompanhado de vantagens como transferência de tecnologia, treinamento em serviços especializados ou o compromisso de adquirir produtos do país para o qual realiza a venda. O valor dessas contrapartidas com frequencia supera o das próprias mercadorias ofertadas e é um elemento importantíssimo da competição internacional na área da Defesa.
O Brasil tem longa experiência com contratos de offset, iniciada na década de 1950, quando a Aeronáutica comprou aviões em troca da aquisição de algodão brasileiro por governos estrangeiros. Muita coisa mudou desde então, é claro, e a Embraer, como ofertante, acordou com a Colômbia a modernização de aeronaves da Força Aérea do país, cooperação técnica para a instalação de um centro de certificação aeronáutica e a integração de empresas colombianas nas cadeias produtivas da firma brasileira.
Esse tipo de negociação abre novos potenciais para as políticas de Defesa e de relações exteriores do Brasil. Como a União tem golden share na Embraer (isto é, ações especiais com poder de veto sobre as decisões estratégicas da empresa) pode-se pensar na oferta de contrapartidas como um meio de estabelecer alianças e parcerias com governos estrangeiros, sobretudo em áreas sensíveis como a América do Sul. É também um modo de incentivar a ação internacional de empresas brasileiras, que podem agir em conjunto oferecendo serviços e produtos no âmbito dos pacotes de contrapartidas.
O desenvolvimento de estratégias nacionais desse tipo é fundamental também para a própria prosperidade da Embraer. O mercado de aviação é extremamente competitivo, um oligopólio dominado por firmas com forte apoio de seus Estados. Para ter um bom desempenho nesse jogo, a empresa brasileira precisa oferecer algo mais do que aviões de qualidade, e a rica experiência de cooperação internacional do Brasil é um bônus importante para ser levado em conta.
7 comentários:
Salve Don Mauricio,
excelente post. Este é um assunto que ainda vai render muitas outras negociações. Nada mais distante de um hipotético mercado de competição perfeita do que as cadeias produtivas ligadas à Defesa, e num ambiente desses há muito mais envolvido do que mero preço e performance.
Lembro dos famosos comentários de alguns conhecidos da aeronáutica que sempre relembrar que os F-16 do Chile tem suas operações extremamente limitadas...
Salve, meu caro.
Pois é, acho que estamos apenas no início de um processo que será muito interessante para o Brasil. Aguardemos mais e melhores acordos desse tipo!
abraços
Prezado Mauricio,
Parece que em Março sai finalmente o resultado do F-X-2, com o offset prometido além da tecnologia, teremos a venda do KC-390, caso seja os franceses.
Parece que este ano apesar de tudo começa bem essa empresa.
Salve, Marcelo.
É o que parece, após as dificuldades que ela enfrentou em 2008.
abraços
É verdade! Na tal compra dos submarinos e dos helicópteros, o Brasil preferiu negociar com a França, mesmo com melhores propostas de outros Estados. Aquilo tb foi estratégico! bj!
Salve, Mariana.
No caso da França, pesou muito o apoio político do país a uma série de objetivos da diplomacia brasileira. Em termos de offset puro e simples, as propostas dos suecos foram muito vantajosas.
abraços
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