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quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Amigos, projetos e uma bela cidade



A foto acima mostra a rua da Universidade, em Montréal, um dos lugares que mais freqüentei durante minha permanência no Canadá. A rua fica em frente ao hotel onde aconteceu a maioria dos eventos do congresso e está repleta de cafés, restaurantes e livrarias, estabelecimentos onde passo de bom grado uma longa parte da vida. Era um programa comum me reunir com amigos para papos entre um debate e outro.

A universidade que dá nome à rua é a McGill, uma das mais importantes do Canadá. Ela está localizada numa linda colina e todo o complexo é muito bonito, com prédios e parques espalhados num ambiente acolhedor. Melhor de tudo: a McGill anunciou no congresso bolsas para seu programa de pós-doutorado em Estudos do Desenvolvimento. O tema me interessa muito e desde já é uma forte possibilidade para o futuro. Outra coincidência: o curso é financiado pelo mesmo instituto governamental que banca a pesquisa sobre juventude sul-americana, na qual trabalho atualmente.





Num dos debates, conheci um acadêmico brasileiro que fez o pós-doc no Canadá, mas na Universidade do Québec. Ele me falou maravilhas do ambiente intelectual, da hospitalidade e da excelência acadêmica do país. Me estimulou muito para que eu prosseguisse meus estudos por lá e com certeza suas palavras estão sendo consideradas com muita atenção por mim!

Meu desejo de estudar técnicas do desenvolvimento foi reforçado pelos ótimos amigos que fiz no congresso. Um dos grupos com quem mais andei foram de profissionais europeus e latino-americanos que trabalham nesse campo. Além da afinidade de interesse, foram colegas de mestrado na Holanda de uma amiga minha. Os laços comuns nos aproximaram e passamos ótimos momentos conversando e trocando idéias. Muitos deles viveram no Peru e aprendi bastante sobre a situação atual desse país, em particular o modo como os efeitos terríveis do terremoto foram agravados pelas desastradas decisões do presidente Alan García.

Outro bom grupo de amigos que fiz em Montréal foi de jovens doutorandos de Berkeley, nos EUA. Já conhecia uma das moças, a quem ajudei quando ela esteve no Brasil pesquisando para sua tese. Ela me apresentou a vários colegas e nos divertimos muito contando piadas sobre os absurdos de nossos países. Me impressionou o número de estudantes dessa prestigiada universidade que estão se dedicando aos assuntos brasileiros. Todos falam excelente português (melhor do que o de muitos depoentes em nossas CPIs...) e têm um grande carinho pelo Brasil. "Agora em Berkeley somos todos brasileiros", brincou um deles.

Meus amigos brasileiros no congresso eram principalmente os colegas do IUPERJ, mas também fiz amizade por lá com muitos estudantes e professores das universidades paulistas, da UnB e de uma ou outra instituição nordestina. Fizemos belos passeios por Montréal. Um deles foi pelo Quartier Chinois, bastante grande. Apesar do nome, ele abriga não só chineses, mas uma expressiva comunidade de imigrantes asiáticos que inclui muitos vietnamitas e tailandeses. Gostei principalmente de jantar nesses restaurantes típicos: ótima comida e um preço bastante razóavel para os altos padrões do Canadá. Também comemos no Quartier Latin, que concentra vários dos restaurantes da moda, uma arquitetura fantástica e uma agitada vida noturna.



O centro histórico de Montréal se concentra junto ao porto e contém preciosidades como a Praça de Armas e a Praça Jacques Cartier. Toda a área está muito conservada e é um prazer caminhar por ela. Do porto, tomamos um cruzeiro pelo rio São Lourenço (a cidade, vale lembrar, é uma ilha) e fizemos um passeio interessante pelos arredores. Na foto abaixo, o Biodome, uma estrutura que abriga exposições com os principais ecosistemas das Américas.



Montréal é uma cidade especial, de categoria internacional como seus habitantes gostam de dizer. A programação cultural anual é deslumbrante e inclui eventos extraordinários na música, literatura e cinema. Me despeço dela como quem diz até logo, e desde já está marcada na minha vida como um lugar de amizade e pensamento.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Montreal



Cheguei ontem a Montreal, mas o pouco tempo em que estou aqui ja bastou para que eu me encantasse com a cidade, com a cordialidade de seus habitantes e com a beleza e a organizacao de tudo por aqui. Tambem ajuda o fato de que o congresso da LASA comecou de maneira excelente. A semana promete.

A cidade eh uma ilha no rio Sao Lourenco e foi um dos centros mais importantes da colonizacao francesa nas Americas. Os britanicos tomaram o Quebec na guerra dos Sete Anos, em meados do seculo XVIII, mas nunca conseguiram apagar os rastros da cultura francesa. O Canada, evidentemente, eh um pais bilingue e as pretensoes autonomistas do Quebec sao muito fortes - o ultimo plebiscito pela independencia da provincia perdeu por menos de 1%. Quase todas as pesssoas por aqui falam os dois idiomas muito bem, mas isso nao significa que deem a eles a mesma importancia sentimental. O rapaz do albergue onde estou hospedado dizia num ingles impecavel que le somente a imprensa em lingua francesa.

As placas de ruas e sinais oficiais estao nas duas linguas, assim como os livros a venda nas excelentes livrarias da cidade. Mas nesse campo, predominam os lancamentos em ingles, por causa da influencia da poderosa industria editorial dos EUA. Que alias, invadiram duas vezes o Canada (na Revolucao de 1776 e na guerra de 1812) mas foram expulsos em ambas as ocasioes, sem conseguir anexar o pais.



Tambem me rendi a lingua dos Estados Unidos e fiz minha apresentacao no congresso em ingles. Meu trabalho eh sobre direitos humanos e participacao cidada no Mercosul e meus colegas de mesa eram argentinos e peruanos. Ainda assim, decidimos fazer todas as palestras em ingles, porque a maioria do nosso publico era dos EUA. Pegamos um horario ingrato - 8h, no primeiro dia do evento - mas o debate foi excelente, cheio de ideias e muito divertido. Como disse um dos participantes, o tema do Estado e da sociedade civil sempre rende boas historias e anedotas!

Hoje assisti a otimos debates sobre movimentos sociais na Argentina, politicas de integracao regional e daqui a pouco sigo para a cerimonia oficial de abertura. O programa do congresso promete a presenca de muitos lideres politicos e escritores. Aguardemos!

As fotos - Praca Jacques Cartier e Basilica de Notre Dame.

domingo, 2 de setembro de 2007

Canadá, Québec e América Latina


Na próxima segunda-feira embarco para o Canadá, onde passarei uma semana. Apresentarei um ensaio sobre direitos humanos e participação social no Mercosul no congresso da Associação de Estudos Latino-Americanos (LASA). Não é coincidência que o evento seja em Montréal, na região francófona do Québec. Nos últimos anos o Canadá tem desempenhado um papel cada vez mais relevante nos assuntos da América Latina e sua região de fala francesa é especialmente proeminente nessas relações.

Até a década de 1990 o Canadá sequer fazia parte da Organização dos Estados Americanos. Quem levou o país para a instituição foi um de seus secretários-gerais, o embaixador brasileiro Baena Soares. Numa palestra, pediram-lhe três motivos para o país se juntar à entidade: “Primeira razão: o Canadá é um país das Américas. Segunda razão: a OEA é a organização regional deste hemisfério. Terceira razão: não é necessária.”

De lá para cá, o Canadá assinou acordos comerciais importantes com países da América Latina, como o Nafta. Sua chefe de Estado atual é do continente: a governadora-geral Michäelle Jean, nascida no Haiti. Ela esteve no Brasil em julho (na foto, cumprimenta o presidente Lula) e impressionou favoravelmente as pessoas com quem se reuniu, por sua dedicação e interesse aos temas latino-americanos. Em seus discursos, menciona com muita freqüência os jovens brasileiros e as ações do Centro para a Pesquisa e o Desenvolvimento Internacional, vinculado ao parlamento canadense – o Centro financia a pesquisa sobre juventude na América do Sul, na qual trabalho.

O congresso da LASA tradicionalmente ocorria nos Estados Unidos, país no qual estão localizadas a maioria das instituições que se dedicam a estudar a América Latina. Neste ano, será em Montréal por conta dos inúmeros problemas para entrar nos EUA. O Canadá também exige visto, mas o processo foi rápido: apresentei os documentos que me pediram e em uma semana estava tudo pronto.

Ao saber da minha viagem, muitos amigos têm me perguntado se penso em emigrar para o Canadá. Isso porque o governo do país – em particular o da província de Québec – lançou um programa especial para os cidadãos brasileiros. Eles realmente estão de olho em nós. A ministra das relações internacionais do Québec (sim, a província tem sua própria diplomacia!) está em visita ao Brasil e assinou acordos de cooperação com a CAPES, além de ter aberto um escritório de representação econômica em São Paulo.

As oportunidades estão aí. Vamos ver se minhas impressões de Montréal confirmam as boas expectativas!