sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Olhares do Cinema sobre a Primavera Árabe



Em outubro, no Festival do Rio, assisti a dois excelentes filmes sobre a Primavera Árabe: o documentário “Tunísia: o fim do medo” e a coletânea de curta-metragens de ficção “18 Dias no Egito”. A trajetória dos dois países está intensamente interligada. Suas ditaduras foram derubadas com poucas semanas de diferença e o mesmo ocorre agora com suas primeiras eleições legislativas livres. A tunisiana foi em outubro, a egípcia será no dia 28.

O documentário sobre a Tunísia foi dirigido por Mourad Ben Cheikh e é uma co-produção com a emissora Al-Jazeera, importantíssima como fonte de notícias críticas sobre o Norte da África e o Oriente Médio, e para criar ou fortalecer o senso de identidade pan-árabe dos países envolvidos nas revoltas democráticas.

O filme é um conjunto de entrevistas com pessoas que participaram da derrubada da ditadura de Ben Ali: uma moça que escreve um importante blog político, uma advogada que comanda uma ONG de direitos humanos, seu marido, um veterano militante comunista e uma mulher em tratamento psicológico, que monta um grande e belo painel fotográfico sobre a revolta, como modo de expurgar os efeitos nocivos do regime autoritário.

O subtítulo, “o fim do medo”, resume à perfeição o clima da produção e os depoimentos emocionam – o filme foi aplaudidíssimo pela platéia no festival. O mais impressionante foi constatar a relação entre a democratização do país e o reforço dos laços de confiança entre os cidadãos, além de sua recuperação do espaço público. Contudo, o documentário peca pelo pouco espaço dedicado aos islamistas – que já se consagraram como a principal força política da Tunísia, com 40% dos votos.




O filme egípicio é uma colaboração entre dez cineastas, cada um com seu estilo, mas há grande coesão narrativa e política entre eles, talvez pelo trabalho de organização e articulação de Sherif Arafa. Os diversos curta-metragens abordam temas como a perseguição política e a tortura sob a ditadura de Mubarak, o cotidiano dos capangas que atacaram os manifestantes pró-democracia, as reações das pessoas sem engajamento político que subitamente se viram envolvidas pelos gigantescos protestos e até episódios poéticos ou humorísticos, como o menino que quer apenas tirar uma fotografia em cima de um blindado, ou o rapaz que se apaixona platonicamente pela vizinha que participa da ocupação da Praça Tahrir.

O melhor e mais elaborado dos curtas é o que abre o filme: um grupo de pacientes internados num hospital psiquiátrico assiste espantado às notícias da revolução, enquanto percebem as mudanças na administração da instituição. Há de tudo entre eles: um coronel da polícia secreta, um islamita, um jovem rebelde, um professor desiludido, um cínico jornalista da TV oficial. Lembra a peça Marat/Sade, de Peter Weiss.

O filme egípcio não é exatamente mais pessimista do que o tunisiano, porém é um tanto mais cauteloso, no sentido em que deixa claro que há muitos outros interesses no país além dos grupos pró-democracia – partidários da ditadura, oportunistas que esperam ver para onde soprará o vento, cidadãos apáticos, assustados ou confusos. Ele não trata dos militares, presumo que o assunto ainda seja tabu numa nação com Forças Armadas tão influentes. Mas o tema será quente nas iminentes eleições. Por aqui, em breve.

7 comentários:

Marcelo L. disse...

Prezado Mauricio

Vou ver se encontro o 18 horas, eu andei assistindo esse aqui que tem legendas em francês sobre principalmente o Marrocos.

http://www.youtube.com/user/majdi02#p/c/9055A9CD6AEB9ADA/3/OXBWsKJbCek

Mauricio Santoro disse...

Obrigado, Marcelo.

Abraços

Hugo Albuquerque disse...

Fim do medo faz, spinozanamente, tanto sentido quando se fala de Tunísia...

fogos de artificio disse...

PRIMEIROS SOCORROS

Sempre:

- Lavar a área atingida com água corrente, de preferência água gelada.

- Enquanto não houver atendimento no hospital, cobrir a queimadura com um pano limpo.

- Nas queimaduras em pequenas áreas pode-se passar vaselina esterilizada.

- Nunca fure as bolhas! Elas servem para proteger a área queimada.

- Não retire roupas grudadas, fragmentos de objetos ou graxas das lesões.

- Não use pomadas sem ordem médica, nem toque as lesões com as mãos.

- Procure Socorro Médico!

- Se houver sangramento, faça um curativo com gaze ou um pano bem limpo.

- Os pacientes com grandes áreas queimadas devem ser mantidos bem hidratados.

Enquanto não chegar ao hospital, procure fazer o acidentado beber bastante água,
pois a perda de água nas áreas queimadas é muito grande. ATENÇÃO: não tente
dar água se a pessoa estiver inconsciente!

Nunca:

Colocar pasta de dente, óleo, pó de café, terra ou qualquer outra substância sobre as queimaduras.
Isso não vai recuperar o tecido ou aliviar a dor, pelo
contrário. Na hora do curativo será necessário limpar a área, se tiver de remover esses produtos,
tudo isso se torna mais doloroso.

Para evitar a compra de material clandestino, é importante observar se o local de venda é credenciado.
Nas lojas credenciadas, os vendedores são treinados
para orientar aos usuários sobre as medidas de segurança.

A experiência tem demonstrado que, em regra geral acidente com fogos de artifício acontece por mau uso
do produto ou irresponsabilidade no cumprimento das
instruções e normas de segurança. Os fogos, em si são tecnicamente seguros!

FOGOS DE ARTIFICIO BRASIL recomenda que você sempre siga as instruções de queima e segurança contidas
nas caixas de embalagem!


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Lauro F. Vieira de Faria disse...
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Lauro F. Vieira de Faria disse...
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Mauricio Santoro disse...

Caros,

Esclareço que a política deste blog é vetar comentários baseados em agressões e na difusão de preconceitos raciais, religiosos e outros discursos de ódio.

Abraços