sexta-feira, 13 de maio de 2011

Desenvolvimento, Democracia e Defesa na América do Sul



O Ministério da Defesa me convidou a participar da elaboração do Livro Branco, a compilação de diretrizes que orientarão a política de segurança internacional brasileira. É a primeira vez que o documento é preparado no Brasil, embora seja comum em outros países. A idéia do governo é ampliar o envolvimento da sociedade civil nas discussões sobre os assuntos militares. Minha contribuição foi no debate acerca do cenário estratégico da América do Sul e dos desafios que a região apresenta ao Brasil.

Comecei mostrando os dados a respeito da renda per capita e do Índice de Desenvolvimento Humano (que combina renda, educação e expectativa de vida).





Como vocês podem ver, eles mostram uma América do Sul mais rica e desenvolvida, no patamar superior dos países do sul global. Mas apontam também os desequilíbrios regionais – Cone Sul próspero, Bolívia e Paraguai como bolsões de pobreza.

Em seguida, apresentei os dados relativos aos problemas sociais do continente, em particular o alto nível de desigualdade social – o mais alto do planeta. Mostrei também a avaliação a respeito da violência na região (abaixo) com a situação de modo geral bastante ruim, sobretudo na Colômbia e na Venezuela.



A etapa seguinte foi a discussão sobre democracia. Citei os dados do Latinobarômetro e do PNUD que indicam que os sul-americanos valorizam as liberdades democráticas, mas desconfiam das instituições (legislativo, judiciário, partidos etc) com poucas exceções, como Forças Armadas e Igreja Católica. Comentei que esse tipo de situação é perigosa, porque propicia o surgimento de líderes com pretensões messiânicas, que passem por cima das regras em nome de alguma bandeira de transformação política.Contudo, o desenvolvimento sócio-econômico da América do Sul torna esse tipo de instabilidade mais difícil. A classe média ascende na região, as elites ficam mais diversificadas e abertas às mudanças.

Qualquer debate sobre Defesa precisa levar em conta as ameças e riscos e abordei os fatores mais problemáticos da região: os conflitos em torno dos recursos naturais (e o modo afetam empresas globais do Brasil, como a Petrobras), a situação por vezes precária das comunidades brasileiras no exterior, os impactos internacionais das lutas armadas na Colômbia.

Tivemos excelentes debates sobre a imgem do Brasil na região e as dificuldades que se colocam para o país, à medida em que aumentam suas ambições diplomáticas.

2 comentários:

Jackeline Mota disse...

Olá Maurício, parabéns pelo convite. Infelizmente recebi do PPGEST a programação das oficinas ja no dia em que aconteciam, o que inviabilizou a ida. Gostaria muito mesmo de ter ido assistir. Espero conseguir ir à Oficina aqui no Rio. Abs,

Mauricio Santoro disse...

Salve, Jackie.

Espero que o MD realize outras, o debate foi bem interessante.

abraços