quarta-feira, 29 de junho de 2011

Malcolm X



Manning Marable diriga o Centro de Estudos Afro-Americanos na Universidade Columbia. “Malcolm X: a life of reinvention”, é o último de seus 15 livros, lançado pouco após sua morte. Marable escreveu uma obra-prima biográfica, esclarecendo vários mal-entendidos sobre a vida de Malcolm e ajudando a compreender como esse importante líder passou de símbolo do extremismo violento e da instransigência à símbolo do multiculturalismo.

Nascido Malcolm Little, de pais militantes de movimentos negros, o rapaz teve sua vida perturbada por tragédias familiares: a morte do pai (provavelmente assassinado por supremacistas brancos) e a internação da mãe numa clínica psquiátrica. Criado em lares adotivos ou orfanatos, o jovem Malcolm teve uma série de empregos rápidos em ferrovias, lojas e bares e por algum tempo envolveu-se com o crime. No entanto, Marable mostra que Malcolm nunca foi mais do que um bandido amador e que ele propositadamente exagerou seu mergulho na marginalidade para ressaltar o impacto de sua conversão político-religiosa.

Malcolm estava preso por furto quando conheceu na prisão militantes da Nação do Islã. Naquela época – fins da década de 1940 – era uma pequena seita com cerca de 2 mil ativistas. Era baseada numa mistura de teologia e pulp fiction, que afirmava que a raça branca tinha sido criada por um cientista louco para despojar os negros, donos originais do mundo. A religião verdadeira dos negros seria o islã, com o cristianismo implementado à força pelos traficantes de escravos. Para simbolizar a ignorância de suas raízes, os adeptos substituiam os sobrenomes pela letra-símbolo do desconhecido: X. A Nação do Islã foi fundada por Wallace Fard, que alegava status divino e desapareceu misteriosamente nos anos 30. Foi substituído por Elijah Muhammad, que considerava-se um profeta.

Malcolm ficou fascinado por Muhammad e o encantamento foi mútuo. Ele rapidamente tornou-se o ministro mais importante da Nação do Islã, enquanto ela explodia em números passando em poucos anos para quase 100 mil membros. Eles não buscavam a teologia esdrúxula de Farod e Muhammad, mas o apelo de Malcom pelo nacionalismo negro, pela valorização e autoestima, e pela idéia em estimular negócios próprios e empreendedorismo na comunidade afro-americana.



O auge da inflência de Malcolm foi o período 1955-1965, que coincidiu com o apogeu do movimento dos direitos civis. A Nação do Islã rejeitava o integracionismo de Martin Luther King Jr e outros líderes, mas foi cautelosa em não se opor diretamente a ele. King e Malcolm encontraram-se apenas uma vez, brevemente, e às vezes trocavam farpas pela imprensa. Malcolm criticava a não-violência do movimento e afirmava que os negros tinham direito a se defender com armas, caso fossem atacados por racistas.

Malcolm ficou desiludido com a corrupção e as inconsistências teológicas da Nação do Islã. À medida que viajava pela África e Oriente Médio, aprofundou seus conhecimentos da religião muçulmana e ficou impressionado com a convivência pacífica entre fiéis de várias etnias e culturas, em especial após sua peregrinação à Meca. Malcom rompeu com a Nação e criou outros movimentos negros, um só para muçulmanos e outro que pretendia unir negros nos Estados Unidos e nos países em desenvolvimento. Mas ele foi assassinado – provavelmente sob ordens de Elijah Muhammad – em 1965, antes que pudessem desenvolver esses projetos.

Ironicamente, King radicalizava-se naquele momento, em função da guerra do Vietnã e da luta contra a pobreza nos guetos nortes, uma vez vencida a segregação racial no sul. Podemos apenas especular o que seria a possível cooperação entre os dois, caso vivessem alguns anos mais. É interessante observar que Barack Obama, admirador entusiasmado de King, representou como parlamentar o distrito no qual está sediado o QG da Nação do Islã, em Chicago.

Um comentário:

Anônimo disse...

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