quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Emergindo...


Com certeza a cúpula estimulará o debate sobre as instituições que supervisionam a economia internacional. Ao reunir o G20 em vez do fechado clube dos ricos do G7, a velha ordem reconheceu na prática que o resto do mundo se tornou importante demais para ser mantido fora da sala. Mas qual nova ordem deve tomar seu lugar?

The Economist

Se alguém esperava um resultado arrasador, de reviravolta, do tipo Bretton Woods, da cúpula das economias do G20 realizada neste fim de semana em Washington... Bem, você não deveria ter esperado algo assim. Quando um grupo desse tipo se reúne pela primeira vez – e apenas brevemente – para discutir problemas importantes que têm implicações políticas para todos os membros, você não pode realmente ter um grande resultado. Mas valerá a pena assistir ao que acontece depois.

Blog Managing Globalization

O módulo de economia internacional do curso de formação de gestores só começará daqui a duas semanas, mas a crise financeira tem sido um dos temas mais constantes de nossas conversas e uma espécie de pano de fundo para muitas aulas. Estou particularmente interessado no papel que os países emergentes podem desempenhar na saída desta situação difícil. A cúpula do G-20, realizada há poucos dias, ilustra as possibilidades e limitações desse enfoque.

O capitalismo é global. Nasceu assim e quanto mais se desenvolve, mais aprofunda esse traço essencial de sua identidade. Contudo, a mundialização da economia convive de maneira tensa e contraditória com o sistema dos Estados nacionais. Os principais atos estatais (investimentos em infra-estrutura, políticas sociais, guerras) são fundamentais para a manutenção e expansão do crescimento econômico. A integração e interdependência das finanças globais demanda mecanismos de regulação e coordenação transnacionais, que ultrapassem os limites estreitos de um só Estado. Mas como obter esse importante bem público em meio às rivalidades nacionais?

O que existe de mais avançado em termos de regulação financeira internacional são os tênues acordos de Basiléia, frutos da preocupação dos bancos ocidentais com seus competidores japoneses, que se beneficiavam de crédito barato, e, como depois se viu, sem base sólida. A segunda rodada de negociações de Basiléia sequer foi implementada e já é considerada obsoleta. As propostas para atualizá-la são polêmicas. A francesa, por exemplo, é bem mais abrangente do que o modelo desejado pelos EUA e pelo Reino Unido.

A tentativa de encontrar um consenso no G20 é ainda mais complexa, porque o fórum mistura países desenvolvidos e em desenvolvimento. A conjuntura atual beneficia estes últimos. Com Estados Unidos, Japão e a Zona do Euro em recessão, as esperanças de recuperação econômica global estão nos emergentes. Não é à toa que no jantar da cúpula, Bush tinha à esquerda o presidente da China, e à direita, o do Brasil. Contudo, a declaração do encontro é vaga com relação aos papéis que serão desempenhados pelas nações do Sul. Mais significativos foram os compromissos em não recorrer ao protecionismo, e tentar reanimar a Rodada Doha da OMC, e o reforço de US$100 bilhões ao caixa do FMI, dinheiro urgente para alguns países politicamente explosivos, como o Paquistão.

O próximo encontro foi marcado para daqui a pouco mais de três meses, já no governo Obama, que estará no início de sua árdua tarefa de colocar a casa em ordem.

2 comentários:

Marcos disse...

Off-topic:

Já viu a palestra da Samantha Power no TED?

http://www.ted.com/index.php/talks/samantha_power_on_a_complicated_hero.html

Mauricio Santoro disse...

Não havia visto, Marcus, obrigado pela indicação.

Abraços