quarta-feira, 1 de abril de 2009

Perspectivas para o G-20


As economias que totalizam 85% do PIB do planeta se reunem nesta semana em Londres em meio a notícias ruins (como a provável falência da GM) e expectativas conflitantes. O New York Times disponibilizou um serviço pelo qual os leitores digitam uma palavra para exprimir seu sentimento com relação à crise atual. Termos como “otimista”, “ansioso”, “preocupado”, “esperançoso”, “furioso” e “deprimido” estavam entre os mais populares.

Em meio ao turbilhão dos últimos meses, é possível arriscar palpites para as decisões do encontro. Acredito que haverá um fortalecimento do FMI, com ampliação dos recursos disponíveis para a instituição, na medida em que o socorro a alguns países, como os do Leste da Europa, se torna mais necessário. Algo semelhante ocorreu em escala menor no Banco Interamericano de Desenvolvimento. Naturalmente, haverá declarações contrárias ao protecionismo e quem sabe até alguma medida concreta para tentar evitá-lo. A situação é séria, há estimativas que apontam para queda de 10% no comércio internacional em 2009, o tipo de padrão observado na Depressão da década de 1930.

Contudo, há muitos assuntos controversos de difícil resolução pelo G-20. Um deles é a abrangência das novas medidas de regulação do sistema financeiro internacional. Embora haja certo consenso sobre a necessidade de monitorar mais de perto instrumentos como os fundos hedge e mesmo os paraísos fiscais, estão na mesa propostas mais profundas, como a francesa, de criar uma agência reguladora global para lidar com o tema.

Outro ponto de discórdia é que formato de pacote econômico é o mais apropriado para sair da crise. Os EUA defendem o aumento dos gastos governamentais, para desgosto de países como a Alemanha. E a União Européia tem se mostrado hesitante em planos que signifiquem dispêndios significativos para auxiliar seus membros do Leste.

A China tem adotado um discurso internacional duro, basicamente acusando os países ocidentais pela crise. Internamente, os chineses adotaram um pacote de US$500 bilhões de estímulo ao consumo, mas têm sofrido impactos sociais negativos, como o aumento do desemprego. O crescimento do PIB deve cair para um dígito, algo preocupante para um regime cuja legitimidade depende muito das taxas aceleradas de aumento da economia.

E o Brasil? Nosso governo adotou um contingenciamento duro, de mais de R$30 bilhões no orçamento, mas ao mesmo tempo procurou preservar os programas sociais que tem sido o centro da estratégia de desenvolvimento do governo Lula – crescimento via expansão do mercado doméstico, sobretudo das camadas mais pobres. O recente pacote de casas populares, aliado aos incentivos fiscais para a indústria da construção civil são passos nesse sentido. É uma combinação interessante e vale observar que posições o país irá defender no G-20, bem como que papel poderá desempenhar nos acertos regionais na América do Sul.

2 comentários:

Mário Machado disse...

Agora nos resta obsevar se as medidas serão adotadas tenho escrito sobre isso no meu blog, se quiser ir lá e me iluminar, muito agradeço...

Abraços,

[http://coisasinternacionais.blogspot.com]

Mauricio Santoro disse...

Também estou à espera de iluminação, Mário... Aguardemos os desdobramentos!

Abraços