terça-feira, 30 de novembro de 2010

Uma Certa Paz



O israelense Amós Oz está rapidamente se tornando um dos meus escritores favoritos. Começou quando li “A Caixa Preta”, uma história de amor devastadora sob o pano de fundo da ascensão do nacionalismo religioso. E continua agora com o lançamento no Brasil de seu romance “Uma Certa Paz”. Publicado pela primeira vez em 1982, é um triângulo amoroso ambientado às vésperas da Guerra dos Seis Dias, com protagonistas que representam o conflito entre a geração dos fundadores da Israel e seus filhos, para quem os ideais trabalhistas dos pais não servem mais como bússola, num mundo que se tornou estreito demais para o anseio por liberdade.

O protagonista do romance é Ionatan, uma espécie de rapaz-modelo da primeira geração a crescer em Israel. Seu pai é o secretário-geral do kibutz (fazenda coletiva) onde mora, e Ionatan sempre fez o que se esperava dele. Serviu lealmente ao Exército nas guerras, casou-se com uma colega de organização e trabalha com dedicação nas atividades agrícolas. Mas Ionatan se sente angustiado com as regras rígidas que regulam sua vida, e deseja com intensidade e urgência algo que ele não sabe bem o que é. Seu casamento é vazio de amor, a rotina lhe entedia e ele sente vontade de partir e conhecer o mundo.




O elemento que detona a decisão de Ionatan é a chegada ao kibutz de Azaria, um jovem excêntrico e um tanto desajustado, uma espécie de proto-hippie que traz em si algo do idealismo dos fundadores de Israel. Ele se esforça para se integrar à comunidade da fazenda e se apaixona por Rimona, a esposa de Ionatan, que corresponde a seu amor.

O pano de fundo político do romance é a tensão crescente entre Israel, Egito e Síria, que eclodiu em 1967 na Guerra dos Seis Dias. O pai de Ionatan, Iulek, é um líder respeitado, que foi ministro no governo de Ben Gurion e é um interlocutor, ainda que crítico, do primeiro-ministro Levi Eskhol, que faz algumas aparições na trama.

2 comentários:

Anônimo disse...

Se este livro for tão bom quanto "A Caixa Preta", vai ser difícil largar antes de terminar... Oz de fato tem uma forma muito peculiar - e lúcida - de enxergar seu povo e seu país. Depois te conto o que achei Maurício! Dessa vez compro ao invés de te pedir emprestado, hehe
Carol

Mauricio Santoro disse...

Salve, querida.

A "Caixa Preta" continua a ser meu favorito, mas o "Certa Paz" também é ótimo. Não precisa comprar, eu te empresto da próxima vez em que nos encontrarmos.

Mais para a frente, vou resenhar "A Mulher Foge", do David Grossman, que também é muito bom.

Abraços