sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Cidades, Democracia e Integração na América Latina



Passei os últimos dias em Salvador, participando do Latin Cities a convite da organização do evento. Dei palestra sobre como a maior interação entre as cidades latino-americanas influencia em suas políticas públicas e na própria democracia.

As cidades são os principais nós da economia global, os pontos mais importantes das redes de fluxos de mercadorias, informações e pessoas que promovem o desenvolvimento. Nos últimos 20 anos os vínculos econômicos entre os países da América Latina aumentaram muito, como efeito da abetura do comércio e dos processos de integração regional. Cidade do México, São Paulo, Buenos Aires e Rio de Janeiro em geral são consideradas como as "cidades globais" do continente, com metrópoles como Bogotá e Santiago do Chile exercendo outros papéis de destaque.

As cidades latino-americanas tem olhado mais umas para as outras em busca de melhores práticas de políticas públicas, sobretudo em campos como segurança pública e transporte. Inovações como as abordagens colombianas integradas para combater a violência e modelos como o Transmilênio de Bogotá e as ciclovias da Cidade do México estão sendo reproduzidos pela região. Na área de mudanças climáticas, as metrópoles às vezes vão mais longe do que os governos nacionais, atuando em fóruns internacionais como o C-40 para compartilhar experiências em gestão de resíduos, controle da poluição e habitações inteligentes.

A maior integração econômica tem aumentado a migração entre os países da América Latina e muitas pessoas deixam Bolívia, Paraguai, Peru e as nações centro-americanas com destino a São Paulo, Buenos Aires, Santiago do Chile e Cidade do México. As relações dos migrantes com as populações locais por vezes são marcadas por tensões, discriminações étnicas e culturais e ocasionais surtos de violência, como na Argentina, no fim do ano passado. Distúrbios urbanos como os que sacudiram Londres, Paris, Los Angeles e outras metrópoles do mundo desenvolvido também podem ocorrer por aqui.

O debate com a platéia foi ótimo, focado em temas sobre como os instrumentos de diplomacia federativa (isto é, entre governos subnacionais) podem ser aprimorados, como compartilhar experiências em assuntos sociais, em especial educação e também sobre os esforços dos estudantes de relações internacionais do Nordeste brasileiro, na Bahia e em Pernambuco, em construir seu campo profissional na região.

Por fim: antes de viajar, gravei na Globo News um especial sobre o Tea Party, focado na influência do movimento na crise americana. Clique no link para ver o programa.

4 comentários:

Bruno Lopes disse...

Parabéns pela entrevista na Globonews, acho que a melhor do programa. Me impressionei que o tão falado Azambuja acrescentou pouco e exagerou no wishfull thinking ("isso vai acabar, os Estados não toleram radicalismos").
Não concordo com algumas das afirmações do programa:
1 - O Tea Party não é um movimento "grassroots". Ele é basicamente branco, de classe média.
2 - O Tea Party é um entrismo libertário (no melhor estilo trotskysta) dentro do Partido Republicano, mas é também a evolução de uma tendência de radicalização da direita americana. Veja só: desde a eleição (fraudada, lembremos) de George W Bush o país fez duas guerras, não assinou o Protocolo de Kyoto, criou a Fox News (contra a "liberal" CNN), o criacionismo passou a ser ensinado em escolas públicas e a direita religiosa ganhou força.
3 - Não vejo tantas diferenças entre o Tea Party e a velha guarda republicana. George W Bush é uma figura que o Tea Party adora, e o Tea Party adora quando o governo gasta dinheiro com as forças armadas. Eles são úteis para constranger o governo de Obama e levar o debate para a direita, fazendo os republicanos parecerem "de centro". É claro que a criatura pode sair do controle do criador, mas até agora o jogo está dando certo para os republicanos tradicionais. Se os republicanos acharem que não têm muitas chances, não duvido que lancem um candidato do Tea Party para constranger Obama na campanha.
Senti falta de uma referência à internet. Para entender o Tea Party, é preciso conhecer blogs como o InstaPundit (Glen Reynolds, aliás, fundou o Tea Party).

Mauricio Santoro disse...

Caro,

Que bom que você gostou do programa. A edição ficou realmente ótima, mas cortaram da minha fala dois pontos importantes.

Um foi a distinção que fiz entre as correntes libertárias e conservadoras no Tea Party (mais ou menos o seu ponto 2).

Outro foi o papel fundamental da mídia, em especial da Internet e do rádio, na criação e difusão do Tea Party.

Sobre o movimento ser grassroots ou classe média, bem, ele é as duas coisas - lembremos que nos EUA a classe média (ainda) é majoritária, os pobres são em torno de 15% da população.

O Tea Party é muito crítico da Velha Guarda dos Republicanos, em especial do governo Bush, basicamente pela questão do aumento dos gastos públicos e da dívida governamental.

O tema ainda vai dar o que falar. Seguiremos acompanhando as discussões.

abraços

Antonio Martins disse...

Caro Maurício,


Escreve Antonio Martins, editor de www.outraspalavras.net. Nos conhecemos no Ibase. Tenho visto e gostado muito de teu site. Às vezes, reproduzimos textos numa área do nosso destinada a seleções do que sai de melhor na internet brasileira. Mas gostaria também de tê-lo como colaborador no site principal. Isso significaria reproduzir certos posts que você publica no Todos os Fogos e, se for o caso, outro material que você julgue conveniente.

Infelizmente, não podemos remunerar. Oferecemos alguma visibilidade (em torno de 3 mil acessos/dia) e boas companhias. Que te parece?


abração
antonio

Mauricio Santoro disse...

Salve, Antonio.

Muito bom ter notícias suas, por acaso hoje à tarde dei uma palestra na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, falando sobre terceiro setor e ressaltei a riqueza e a importância da produção de mídia na área.

Será um prazer voltarmos a colaborar. Me escreva no mauriciosantoro1978@gmail.com e acertamos os detalhes.

abraços