terça-feira, 19 de junho de 2012

Argentina: uma economia mais difícil com uma política mais complicada

Em outubro de 2011 Cristina Fernández de Kirchner foi reeleita presidente da Argentina com 54% dos votos – o maior percentual desde o retorno da democracia. Na mesma eleição, seu partido conquistou maioria na Câmara dos Deputados e no Senado. Feito notável para sua corrente política, que ascendeu das margens do peronismo em 2003, quando seu marido chegou à Casa Rosada com menos de 25% do eleitorado.

Contudo, o que parecia ser uma consagração e a promessa de estabilidade tem se mostrado o início de um período turbulento, marcado pelo que o analista Rosendo Fraga definiu como uma “economia mais difícil com uma política mais complicada”. Os pontos mais ásperos dos novos conflitos são a nacionalização da petrolífera YPF, que estava sob controle da espanhola Repsol e a política de restrição à compra de dólares.

O resto, no artigo que escrevi para a Revista Pittacos.

4 comentários:

Diogo Terra disse...

Ela é duríssima na queda, Mauricio. Goste-se dela ou não.

Já passou por situações de crise similares no primeiro mandato - e se reelegeu quase sem contestação.

Claro que a aura do marido ajudou e bastante, mas quando este faleceu ela precisou provar que não era marionete.

Apareceu alguém com um projeto de poder e ideias para desafiá-la? Achar que Alfonsín filho, Carrió e Macri são opositores dignos é coisa de lunáticos.

Então, quem é que veste a carapuça da oposição? A grande imprensa. Só Clarín e La Nación não adianta. Tem que aparecer uma figura de destaque.

Por isso que ela bota as manguinhas de fora para fazer as maiores estripulias - o tal de Moreno é a figura das mais asquerosas, encarnando a visão preconceituosa que se tem dos argentinos por aqui.

Pra terminar de dizer besteira: Cristina e Menem = Lula e Maluf ?

Vale lembrar que os magistrados alinhados aos Kirchner já absolveram o ex-presidente de causas nas quais ele se atolou até o pescoço - tráfico de armas para Croácia e Equador, encobrimento da responsabilidade nos casos AMIA, Yabrán/Cabezas (lembra?).

Tudo em troca do mesmo apoio parlamentar que Lula busca no ex-prefeito do "rouba mas faz". Que, como se vê, segue poderoso...

Maurício Santoro disse...

Salve, Diogo.

As oposições na Argentina são mesmo muito fragmentadas, elas só são relevantes na esfera regional, como Macri em Buenos Aires, Binner em Santa Fé e as eternas lutas do peronismo bonaerense...

Lá, como cá, os presidentes fazem alianças com os caciques regionais, muitos dos quais têm uma história bastante sombria. Além do Menem em La Rioja, temos a família Rodrigues Saa em San Luis, e outros do gênero.

E o governo tem um saldo econômico positivo, com uma base de apoio sólida, e uma fortíssima máquina partidária. É difícil enfrentar esse colosso.

abraços

Bruno disse...

Interessante a informação de que a Argentina busca empréstimos de USD 7 bi para financiar o plano de investimentos da YPF. Eles vão conseguir? Acho que não, mas aí poderão falar que falta gasolina por conta da ganância do "mercado financeiro internacional" ou dos "banqueiros americanos" ou coisa do tipo.

Pois vejamos: há alguns anos a Argentina tomou empréstimos e vendeu uma empresa. Ela já deu um calote em parte de sua dívida. Depois, nacionalizou essa empresa. Agora, busca empréstimos para essa empresa. É possível ver algum tipo de padrão nesse comportamento?

Maurício Santoro disse...

Salve, Bruno.

Pois é. Eu ficaria relutante, para dizer o mínimo, em investir na YPF. Mas talvez a Argentina consiga os recursos de governos aliados.

abraços