segunda-feira, 11 de junho de 2012

O Pacote de Socorro à Espanha

No sábado a Espanha pediu socorro financeiro de até $100 bilhões de euros para a União Européia, para tentar salvar seus bancos, cuja situação preocupa o continente. O PIB espanhol é de mais de um trilhão de dólares, maior do que a soma dos outros suplicantes – Grécia, Portugal, Irlanda. As reações iniciais ao pacote são de ceticismo. A quantia é considerada razoável, mas o receituário é basicamente o das mesmas reformas de austeridade que têm sido implementadas sem maiores resultados nos países do sul da Europa (embora pareçam ter melhor desempenho nas nações bálticas).

O cerco se aperta com a nova tentativa da Grécia em formar um governo, no próximo domingo. Com os Estados Unidos em dificuldades pelas eleições e com um presidente em minoria na Câmara, e os BRICS em redução do crescimento econômico, o foco das expectativas e temores se volta para a Alemanha.

A primeira-ministra Angela Merkel continua com a postura de rejeitar pacotes de resgate, mas ao fim de muitas súplicas acabar aceitando uma versão reduzida deles, atreladas a duras condicionalidades relativas ao corte de despesas públicas e algumas reformas econômicas. Contudo, há um difícil contraste político entre grandes acordos de ajudas econômicas para os bancos e outras instituições financeiras, e a precarização de serviços públicos e benefícios para a classe média e os pobres. Em sociedades organizadas e mobilizadas como as da Europa Ocidental, o resultado é uma leva de manifestações e protestos que tem derrubado diversos governos no continente.

A situação da Espanha é dramática, com o desemprego beirando 25% e ultrapassando 50% entre os jovens. O Partido Popular (conservador) venceu as eleições nacionais, desalojando os socialistas que estavam no poder quando a crise começou. Mas já está com dificuldades nas urnas, perdendo eleições nas regiões mais ricas como a Catalunha e em núcleos industriais importantes, como o País Basco. Contexto complicado para pensar o aprofundamento da austeridade. É preciso ao menos algum crescimento para enfrentar as pressões sociais.

4 comentários:

zealfredo disse...

Caro professor,
vim aqui colocar um spam, isto é, uma propaganda do meu blog, sobre uma primária leitura do livro que dá título a este blog.
Ou seja, não faz muito tempo eu li o livro Todos os Fogos o Fogo, bem como As Armas Secretas, ambos de Cortázar em edição da Best Bolso.
Mas procurando pela "tag" literatura neste blog não achei referência ao livro ou ao conto de Cortázar "Todos os Fogos o Fogo". Há uma explicação, uma história por trás desta eleição? Seria possível compartilhá-la?

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José.

Diogo Terra disse...

Bolha imobiliária. Irresponsabilidade do sistema bancário. Privilégios a grupetes próximos da família real. Destrato a imigrantes, como se todos estes fossem ilegais e sorrateiros. Edições enviesadas dos novos livros didáticos, onde Franco não é mencionado como ditador, muito menos seus crimes.

E ainda pedem por ajuda. Ah, Espanha...

Sobre o link da Economist: os caras têm uma análise conjuntural sensacional. Mas pecam gravemente ao defender o neoliberalismo de modo thatcheriano, ou seja, como solução para todos os males da humanidade e desprezando ou ignorando o fator humano. Que, afinal, nunca contou para Wall Street, BCE, e afins.

Maurício Santoro disse...

Caro Zealfredo,

Propaganda mais do que bem-vinda!

A história do nome é a seguinte: criei este blog logo após voltar de uma temporada na Argentina. Queria dar o título de algum livro ou conto de Cortázar. Pensei em "O Perseguidor", mas já havia vários. Fiquei com a segunda opção.

Caro Diogo,

A Economist defende políticas de estímulo ao crescimento para a crise da Europa.

abraços

Bruno disse...

Roubini "dr Doom" resumiu muito bem: a Alemanha continua obcecada pela hiperinflação de 1929, e continua com medo de uma irreal inflação. Mesmo eles estão começando a abandonar a defesa da austeridade, porque uma quebradeira geral na Europa também prejudicaria a Alemanha.

Eu esperava que o mercado financeiro recebesse com um pouco mais de otimismo o socorro à Espanha, mas já teve agência de risco rebaixando a nota da Espanha.

Cá no Brasil, há um ano o PIB está virtualmente parado, mesmo com todas as medidas expansionistas do governo (ou seja, sem elas nós estaríamos com o PIB encolhendo). Nas últimas semanas o dólar não pára de subir, aumentando o preço dos importados. Se isso continuar por mais alguns meses, a palavra "estagflação" poderá voltar à moda.