segunda-feira, 8 de setembro de 2008

A Participação Política dos Jovens


Pela manhã estive nos estúdios do Canal Futura e dei uma entrevista ao telejornal da emissora. O programa apresentou uma reportagem sobre a queda no registro dos eleitores entre 16 e 18 anos e me pediu para comentar o fato. Estaria em curso uma perda do interesse da juventude pela política? Argumentei que não, as pesquisas que o Ibase tem realizado mostram a vontade dos jovens em participar dos assuntos públicos, mas também indicam que eles se sentem desconfiados e distantes das instituições tradicionais, como os partidos.

De que maneira então se dá essa participação?, me perguntou a apresentadora. Respondi que os jovens têm inventado novos modos de se envolver com questões políticas, como grupos culturais - chamei a atenção para a explosão criativa que é o hip hop brasileiro - e um uso intenso e inovador das tecnologias da informação.

Num certo sentido, a sociedade brasileira mudou mais rapidamente do que os partidos e esse fenômeno é ainda mais forte com relação à juventude. Os jovens de hoje são mais escolarizados, têm mais acesso à informação e uma mente mais aberta e questionadora. Os líderes políticos tradicionais simplesmente não conseguiram acompanhar essas transformações e o resultado é uma lacuna grande entre o discurso dos candidatos e as expectativas e valores juvenis. Aliás, em artigo anterior havia defendido a idéia em uma perspectiva mais ampla, falando da América do Sul e sem me referir a uma faixa etária específica.

A entrevista fechou com um tema que me é particularmente caro, o das políticas públicas. Me perguntaram se eu avaliava que o Brasil não tinha ações governamentais nessa área. Disse que tinha, e que o campo passa por um momento importante de fortalecimento e consolidação. A questão é que se demorou muito para iniciar o processo - o órgão nacional de juventude foi criado apenas em 2005, enquanto nos demais países sul-americanos instituições semelhantes existem há 15 ou 20 anos. De modo que o país está correndo para preencher essa lacuna e responder aos anseios dos cerca de 50 milhões de jovens que formam nossa população.

Para quem se interessa pelo tema, a pesquisa na qual trabalho atualmente agora tem um site próprio: Juventudes Sul-Americanas, atualizado com freqüência com notícias, entrevistas e com muitos artigos e pesquisas disponíveis para download. Desfrutem!

5 comentários:

luisar disse...

Mauricio, já postei aqui uma vez, mas desta vez gostaria de pedir informações.Como disse no outro comentário, participo de simulações no RJ.Em novembro participarei do ONU JR,representarei a Coca-Cola no Conselho de Direitos Humanos.O tema é 'O direito ao desenvolvimento e as politicas desenvolvimentistas', se o senhor souber algo sobre o tema, gostaria de pedir uma ajuda!Obrigada!!

Mauricio Santoro disse...

Luisar,

sugiro que você comece pela leitura dos documentos-chave da ONU sobre o tema dos direitos humanos, como o In Larger Freedom, disponível em

http://www2.ohchr.org/english/bodies/hrcouncil/docs/gaA.59.2005_En.pdf

abs

Patricio Iglesias disse...

Caro Maurício:
Muito interessante é ver as novas formas de participaçäo. De todos modos, é grave que a militáncia partidária näo seja alta. Você pode fazer muito desde as ONGs ou (no caso que nombrou do Paraguai) a Igreja, mas as transformaçöes de fundo säo sempre desde a "política tradicional".
Tenho uma dúvida. Você conhece algum pais onde as ONG tenham sido muito importantes no desenvolvimento?
Boa sorte Luisar, e parabéns.
Saludos

Patricio Iglesias

Mauricio Santoro disse...

Salve, Patricio.

De maneira geral, as ONGs têm sido bastante importantes nos países do Cone Sul, eu diria mesmo que as Mães da Praça de Maio, na sua Argentina, são provavelmente a organização que mais teve influência na redemocratização da região.

Abraços

Patricio Iglesias disse...

Caro Maurício:
Cómo näo pensar nas Madres e Abuelas! O problema é que pra nós säo mais que uma simple ONG. Tinha frente mim à resposta! Mas tem toda a razäo; elas foram fundamentáis na redemocratizaçäo e na justícia dos crimes da última ditadura.
De todos modos, ainda penso que é MUITO o que podem fazer as ONG, mas a política "tradicional" é insustituível. É grave que a juventude näo participe nos partidos políticos como em outras épocas. É necessária uma nova dirigéncia política.
Abraços!