domingo, 16 de março de 2008

Auto-Retrato dos Militares dos EUA


O Centro para a Nova Segurança Americana é um think tank recém-fundado que tem publicado material de qualidade sobre assuntos militares. Sua pesquisa mais recente é um retrato das preocupações das Forças Armadas dos EUA, a partir de 3.400 entrevistas com oficiais da ativa e da reserva. O resultado foi publicado pela revista Foreign Policy e mostra panorama de receios e fragilidades.

O primeiro ponto que chama a atenção é o distanciamento dos militares com relação à população e sua desconfiança das instituições políticas. Atualmente, apenas 10% dos americanos serviram em algum momento nas Forças Armadas. Os militares se mostram críticos do Congresso e da diplomacia americana. Apenas a Presidência e o Departamento de Defesa tem avaliações superiores à 50%, e mesmo assim pouco acima desse percentual.

A maioria avalia que as guerras no Iraque e no Afeganistão enfraqueceram as Forças Armadas, levando-as perigosamente perto de seu limite operacional. Cerca de 80% consideram que não estão preparadas para um conflito adicional, embora haja variações com relação às avaliações de cada cenário potencial, conforme o quadro abaixo:



O que os militares querem para combater com mais eficiência? O item mais citado, com espantosos 73%, é inteligência - no sentido de informações recolhidas e analisadas pelos serviços especializados. O segundo da lista, com 38% de menções, são mais Forças Especiais. Respostas que mostram consciência clara dos desafios de segurança pós-11 de setembro - era de ameaças difusas, insurgentes, terrorismo. O tipo de inimigo que não é combatido da maneira tradicional, com batalhas em campo aberto.

A ênfase dada à inteligência reflete o desencanto com sucessivos escândalos e falhas envolvendo os órgãos do setor, particularmente os erros cometidos pela CIA e pelo FBI na prevenção a atentados e a manipulação da inteligência para justificar a invasão do Iraque com base na suposta presença de armas de destruição em massa no país e de pretensos vínculos de Saddam Hussein com a Al-Qaeda.

A tortura tem sido amplamente utilizada pelas autoridades americanas para recolher informações relativas ao terrorismo, o que rendeu incontáveis crises internacionais por conta de Abu Grahib, Guantanamo, os vôos da CIA na Europa (a versão atual da Operação Condor dos anos 70) e as disputas judiciais para autorizar o uso de tortura por afogamento (waterboarding). Para 44% dos militares entrevistados, a tortura é um método aceitável, pelo menos em algumas ocasiões.

(No Brasil, a título de comparação, pesquisa recente indicou apenas 26% de apoio à tortura praticada pela polícia.)

Outra questão que preocupa os militares americanos é a falta de pessoal qualificado. Só o déficit de capitães é estimado em 3 mil. O que fazer para atrair novos recrutas? A maioria dos oficiais, como mostra o quadro abaixo, aposta nos imigrantes.



Trocar serviço militar pela cidadania. O paralelo histórico é claro: o Império Romano agia assim em seus anos finais, incorporando os bárbaros germânicos. Também surgiu com força a idéia de abaixar os critérios educacionais, aceitando pessoas sem o ensino médio completo. Contudo, os oficiais resistem a aceitar criminosos que se alistem para reduzir ou eliminar a pena. Apesar da opinião dos militares, a prática tem se tornado comum: em 2007, o Exército aceitou mais de 12.000 pessoas nessa base.

Um comentário:

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