segunda-feira, 15 de junho de 2009

Kaká Derrotou Berlusconi



A política européia neste ano tem sido uma sucessão de escândalos em meio ao agravamento da crise econômica. As eleições ao parlamento europeu registraram grau recorde de abstenção, que já vinha em queda nos últimos anos. Pouco mais de 40% dos eleitores votaram. Os resultados favoreceram os partidos de direita e, mais do que isso, marcaram derrotas históricas para a esquerda, em diversos países.

O governo britânico está ameaçado de cair, devido ao desvio de recursos públicos pelos parlamentares do país. Mas é na Itália – como sempre – que os conflitos atingem o paroxismo da farsa. O primeiro-ministro, Silvio Berlusconi, declarou que o desempenho abaixo do esperado de seu partido nas eleições européias foi culpa do ruidoso divórcio com sua ex-mulher, da modelo menor de idade com quem que ele teve uma, digamos, amizade festiva, e do jogador de futebol Kaká, que acabou de trocar o Milan pelo Real Madri. Um elenco e tanto.

Contudo, os movimentos conservadores que venceram as eleições o fizeram sem triunfalismo, com muitas divisões, em particular entre a direita liberal e os partidos extremistas que têm expandido sua força.

Na Itália isso ficou muito evidente. O PDL de Berlusconi é uma fusão de seu antigo Forza Itália com a Aliança Nacional (uma dissidência dos neofascistas do Movimento Social Italiano). A sigla teve 35% dos votos para o Parlamento Europeu, cerca de 10 pontos abaixo do que era esperado. Quem se beneficiou não foi a oposição de esquerda, que continua desorientada diante do inimitável primeiro-ministro, e sim os adversários ainda mais à direita – a Liga Norte, que dobrou sua votação com uma campanha anti-imigração.

Em parte isso se deve às particularidades regionais da Itália. A abstenção foi mais alta no sul e nas ilhas, onde Berlusconi tem sua base de apoio. A Liga Norte bateu forte na política externa do primeiro-ministro, criticando a proposta de que a Turquia se torne membro da União Européia. Os temas diplomáticos ainda devem render mais polêmicas na Itália, agora que Berlusconi recebeu o ditador líbio Kadaffi, que tem se reaproximado da antiga metrópole por razões econômicas.

E, claro, o Milan perdeu Kaká. Talvez seja mesmo o começo do fim de Berlusconi.

3 comentários:

Ramon disse...

Grande Maurício!

Realmente o Berlusconi é uma figura à parte. Fui à Milão no fds e vê-se literalmente nas ruas e nas paredes da cidade a insatisfação com relação à ele. A que eu mais gostei foi uma pixação que o chamava de Burlasconi.

Com relação às eleições do Parlamento Europeu, se formos olhar os números em termos nacionais, a taxa de abstenção sobe muito em alguns países. Portugal é um deles. Pelo o que senti por aqui, percebe-se bastante a não identificação com os orgãos da UE por parte da população. Vi algumas sondagens nos jornais mostrando que a grande maioria dos portugueses achavam que o parlamento europeu em nada influenciavam as suas vidas.

Grande abraço,
Ramon

Patricio Iglesias disse...

Meu caro:
É sem dúvidas preocupante que na Europa a direita xenófoba veja um crescimento. Espero que näo tenhamos que lamentar em breve medidas antiimigratórias contra nossos compatriotas que estäo lá.
Abraços

Mauricio Santoro disse...

Salve, Ramon.

Li algo sobre a apatia do eleitorado português, mas parece que o sentimento foi bem generalizado e que em nenhum país houve um surto de entusiasmo pelo parlamento da UE. A contradição é que os poderes desse órgão devem ser bem aumentados com o tratado de Lisboa.

Dom Patricio,

Infelizmente, acho que é exatamente o que acontecerá.

Abraços