sexta-feira, 5 de junho de 2009

O Grande Cunhado



O humor político na Argentina tem sempre boas iniciativas. A mais recente é o programa “Grande Cunhado”. Trata-se de uma paródia do Big Brother, na qual atores interpretam os principais políticos do país: a presidente, seu marido, líderes da oposição, ativistas de movimentos sociais etc. A lógica da atração é a mesma do programa que ela satiriza, ou seja, os telespectadores telefonam para a emissora e votam em que políticos serão eliminados no paredão.

Segundo o que tenho lido nos jornais – e o correspondente do Estadão em Buenos Aires, Ariel Palácios, escreveu um ótimo resumo do que aconteceu no Grande Cunhado – o desempenho dos atores está excelente, com caricaturas bem-humoradas da vida política argentina.

Como não poderia deixar de ser, a realidade está sempre um passo à frente. O ex-presidente Kirchner teria pedido à emissora que não incluísse sua esposa como personagem do show. Claro que não funcionou, o ponto alto do programa foi um clipe da atriz que interpreta Cristina cantando “Material Girl”, da Madonna (foto). Já o líder piquetero Luis d´Elia (que chegou a ser o equivalente a ministro da habitação, foi exonerado após declarações desastradas defendendo o Irã, cujo governo é suspeito de ter patrocinado uma série de atentados terroristas contra alvos judaicos em Buenos Aires, na década de 1990) fez o oposto, e importunou os produtores para que houvesse um humorista que o imitasse.



E se você acha que o midiático ex-presidente Carlos Menem estaria morrendo de inveja, pode tirar o alfajor da chuva. O próprio fez uma participação no Grande Cunhado, na qual disparou uma saraivada de ataques contra os Kirchner e anunciou sua intenção de voltar a ser candidato à presidência. O programa é humorístico, mas suponho que a declaração tenha sido a sério...

Com tantas emoções, é fácil entender por que o Grande Cunhado bateu o índice de audiência do Big Brother Argentina e analistas políticos de prestígio, como Rosendo Fraga, especulam sobre o impacto do programa nas eleições legislativas que ocorrerão no fim deste mês.

Alguém tem sugestões para uma eventual edição brasileira?

3 comentários:

Igor Pessoa disse...

Grande Maurício, realmente o programa parece muito divertido. Com certeza uma versão brasileira seria uma ótima oportunidade de levar o debate político para as grandes massas e ainda melhorar o nível do humor na televisão nacional que está tão pobre quanto o zorra total. Só mais um comentário, parece que o papel da Cristina é feito por um ator e não uma atriz.
Abs

Patricio Iglesias disse...

Caro Maurício:
Obrigado por falar da Argentina. Save mais do que eu do tema! Näo sigo o programa, mas tarde o temprano você save o que acontece por outros programas (até de distintos canáis) ou pela "rua".
Só um detalhe nada menor: O Gran Cuñado näo é novo. O Marcelo Tinelli (quem conduciu ambas versöes) tinha sido feito em tempos de De La Rúa, mas claro que com outros pessoagens. Às vezes penso, Näo sará que é lançado quando o governo baixa nos índices de popularidade? Näo tenha dúvidas de que o Tinelli é un génio; ao margem de que suas criaçöes sejam boas ou näo, ele save o que a gente gostaria ver, e pode satisfazer. É um pessoagem muito keynesiano, sua produçäo está em relaçäo à demanda! Ha, ha, ha!
Dou por descontado que va falar da Cuba, eu já ganhei a você (he, he!)e o citei: http://patricioiglesias.blogspot.com/2009/06/sentimientos-encontrados.html
Saludos!

Mauricio Santoro disse...

Salve, Igor.

Por um ator? (risos) Puxa, isso está cada vez melhor.

Dom Patricio,

Tem razão, o programa vem de antes. E havia (há?) um show que também é muito bom em satirizar políticos, acho que é o Muñecas Bravas, não?

Estou com vontade de escrever sobre Cuba, mas ainda não sei bem o que está acontecendo. Vou roubar umas idéias de você. :)

Abraços