terça-feira, 1 de junho de 2010

Ataque em Gaza



O ataque israelense à flotilha que levava ajuda humanitária à Faixa de Gaza resultou em nove mortos e 679 ativistas presos, num desastre de relações públicas para o governo de Israel, com a eclosão de protestos pelo mundo, em especial nos países muçulmanos, e a retirada dos embaixadores do Brasil e da Turquia. O contexto do conflito: a luta pelo poder em Gaza, desde que o Hamas ganhou as eleições em 2006.

Os israelenses ocuparam a Faixa de Gaza em 1967, na Guerra dos Seis Dias, e se retiraram dela em 2005. O Hamas surgiu como um movimento de resistência à invasão estrangeira, com laços com a Irmandade Muçulmana no Egito e na Arábia Saudita. Após a saída dos israelenses, o grupo logo se tornou a principal força política em Gaza e conquistou a maioria no parlamento da Autoridade Nacional Palestina. O resultado foi uma guerra civil entre Hamas e Fatah, no qual esta manteve o controle sobre a Cisjordânia.

Ao passo que a Fatah se aproximou de Israel no processo de paz de Oslo, na década de 1990, o Hamas mantém a oposição ao país. EUA, União Européia, Japão e Canadá o consideram um grupo terrorista e sanções internacionais foram impostas ao Hamas após sua vitória eleitoral. Israel iniciou também um bloqueio terrestre e marítimo ao território, que continua até hoje. Às vezes os comboios humanitários são autorizados a passar, às vezes são retidos. Mas nunca com a violência brutal demonstrada nesta semana.



Contudo, o bloqueio não resultou no isolamento do Hamas, mas na redefinição de suas alianças internacionais. O vácuo político deixado pelo Ocidente foi preenchido pelo Irã e pela Turquia. Os iranianos passaram a auxiliar o Hamas, expandindo sua influência na questão palestina. Os turcos, como parte de sua nova estratégia de afastamento de Israel e reforço do engajamento com os povos muçulmanos no Oriente Médio e Ásia Central (a foto que abre o post é de um porto em Gaza, observem a bandeira turca ao lado da palestina).

O movimento de solidariedade internacional à Gaza foi bem-sucedido em construir uma ampla rede de apoio global, envolvendo ativistas, artistas e parlamentares de vários países. Essas alianças tornaram o ataque à flotilha uma questão que repercutiu imediatamente nos principais jornais do mundo, e que acentuou as tensões nas relações entre Israel e Estados Unidos.

Mesmo o Egito, que nos últimos 30 anos tem sido um aliado importante dos israelenses, decidiu abrir sua fronteira com Gaza, desse modo rompendo na prática o bloqueio, pelo menos temporiamente. A situação deve se agravar nos próximos dias, na medida em que novos navios seguem para o litoral de Gaza, para provocar reações israelenses.

7 comentários:

Anônimo disse...

Olá Maurício,

Parabéns pelas matérias postadas no blog. Estou sempre acompanhando e gosto mto.
Só uma perguntinha de interpretação. Qdo vc disse q os embaixadores do Brasil e Turquia se retiraram, vc quis dizer q romperam relações diplomáticas com Israel?
Abraços

Karin Nery disse...

Olá Maurício,

Parabéns pelas matérias postadas no blog. Estou sempre acompanhando e gosto mto.
Só uma perguntinha de interpretação. Qdo vc disse q os embaixadores do Brasil e Turquia se retiraram, vc quis dizer q romperam relações diplomáticas com Israel?
Abraços

João p. disse...

Maurício, você acha que pode haver alguma intenção de Israel em colocar a administração Obama em uma saia justa? Acredito que o governo altamente militarizado de Israel era mais favorável a um Donald Rumsfeld, talvez interessasse melar a diplomacia e as visitas do Obama no oriente médio.

Mauricio Santoro disse...

Salve, Karin.

Não. É uma medida de protesto diplomático, usado em casos extremos, mas as relações entre os paises são mantidas. A chefia da embaixada passa para um funcionário de hierarquia inferior, em geral um ministro da carreira diplomática.

Olá, João.

Essa hipótese foi levantada por diversos comentaristas, mas acho que ela é improvável, porque o primeiro-ministro de Israel teve que interromper uma viagem à América do Norte e voltar às pressas para o Oriente Médio.

Abraços

André Borini disse...

Olá Maurício,

Parabéns pelo blog e pelas matérias aqui postadas. A respeito do ataque de Israel, recebi um email de um amigo que é judeu. Segundo ele, a mídia não mostrou a realidade como ela deveria ser. A fim de ilustrar, deixo abaixo o endereço do blog que ele recomendou:
http://blogandodeisrael.blogspot.com/ (veja o slide show)
A questão: Até que ponto é possível confiar na veracidade dessas informações? Entendo que há um apelo pró-Israel (obviamente) e não sei se saberemos ao certo o que aconteceu.
Enfim, a torcida (e isso ocorre há anos) é para a redução da violência na região.

Abraço...

Mauricio Santoro disse...

Salve, André.

O argumento do governo israelense é que seus soldados foram recebidos com violência, e por isso foi necessário contra-atacar com força.

Os ativistas argumentam que os militares israelenses já entraram atirando.

Não está claro o que realmente aconteceu, mas a brutalidade do resultado final conquistou a simpatia mundial para os ativistas.

Também pesa o fato de que o comboio humanitário tenha sido interceptado em águas internacionais.

Me chamou a atenção nos vídeos postados no blog o "quem não pular é turco". Isso seria inimaginável até pouco tempo atrás, pois então Israel e Turquia eram aliados e até executavam manobras militares conjuntas.

Abraços

André Borini disse...

Obrigado pela resposta.
É um blog que parece ser bem interessante, deixarei nos favoritos, pois trás uma visão da sociedade israelense, além de ser escrito por um brasileiro que reside em Israel. Vamos aguardar os desdobramentos...

abraço e parabéns pelas matérias...