sexta-feira, 18 de junho de 2010

A Política da Copa



O desempenho da seleção brasileira na Copa rende um bom texto sobre catástrofes humanitárias, mas hoje vou abordar o evento da perspectiva da política. É a primeira Copa realizada na África e um teste importante para a capacidade de um país do continente sediar uma competição internacional de grande porte. Se tudo correr bem, abre-se a porta para a realização de outros eventos semelhantes, como Olimpíadas.

As apostas são mais altas, claro, na África do Sul, com a expectativa de receber cerca de 370 mil turistas, e investimentos em torno de US$12,5 bilhões. Abaixo do que era esperado inicialmente. As preparações para a Copa foram complexas, com atrasos no cronograma das obras e greves de operários e de seguranças, inclusive agora, com os jogos já iniciados. Outra decepção foi a pequena quantidade de turistas vindos de países africanos: apenas 3% do total.

Os custos e receitas das últimas Copas não seguiram padrão linear. A disputa na Coréia do Sul e no Japão, em 2002, foi de longe a mais rentável. A da África do Sul, evidentemente, significa grandes despesas com a construção da infraestrutura.
A Copa também uma oportunidade rara para países muito isolados internacionalmente tentarem alcançar audiência mais ampla. As lágrimas do camisa 9 da Coréia da Norte, durante a execução do hino no jogo contra o Brasil, fizeram mais por humanizar o país de Kim Jong-Il do que todas as bombas nucleares daquela ditadura. O Zimbábue não está na competição, mas conseguiu que a seleção brasileira jogasse um amistoso contra seu time nacional – bela propaganda para Robert Mugabe.



Países da Europa e da América Latina são, como sempre, os favoritos para vencer a Copa. Curiosamente, as potências emergentes estão quase excluídas da competição. O mau desempenho da China no futebol é um caso conhecido, e também chama a atenção a ausência de times do Oriente Médio, região que adora o esporte, e na qual as partidas por vezes servem de estopim para conflitos políticos.

Ainda sobre o tema: Henry Kissinger comenta como os estilos de jogar futebol refletem a política externa de cada país.

4 comentários:

Angélica Rosas disse...

Olá Maurício,
Interessante essa informação de que as partidas de futebol servem de estopim político no Oriente Médio.

Mário Machado disse...

Dr,

A meu ver o mais belo lance da copa até agora foram a requebradas da Shakira na festa de kick off ... afinal, como eu disse em meu blog rips don't lie...

Acho que o Dunga é bem mais pragmático que Amorim...

Abs,

Mauricio Santoro disse...

Salve, Angélica.

De repente escrevo mais sobre futebol no Oriente Médio e na África. O assunto rende.

Caro Mário,

a ver o desempenho do Dunga amanhã, mas se continuar do jeito que está, o Brasil não será eleito nem para a brigada de incêndio da ONU!

Abraços

Angélica Rosas disse...

Olá Maurício

Se você escrever, ficarei muito feliz:)
Li a materia sobre o futebol no Oriente Médio, mas fiquei ainda mais curiosa sobre o assunto.