quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Para (Tentar) Entender o Desenvolvimento


O debate teórico sobre desenvolvimento começa a se renovar. A ascensão da China, Índia e outras economias emergentes, a crise nos EUA e a estagnação na Europa têm levado a questionamentos e visões críticas sobre as reformas adotadas na década de 1990. Eu andava à busca de um livro que pudesse me dar o panorama das principais correntes em debate e gostei muito do que encontrei em “Understanding Development: theory and pratice in the third world”, de John Rapley.

Numa obra pequena, elegante e de clareza didática exemplar, Rapley conta o nascimento e apogeu dos estudos sobre desenvolvimento, a partir da Segunda Guerra Mundial, e examina suas principais linhas de reflexão: as vertentes keynesianas, o estruturalismo da CEPAL, a teoria da dependência etc. A partir da crise dos anos 70 e da guinada liberal que seguiu a ela, muitos acreditavam que essas teorias estariam mortas, sobrepujadas pela crítica da economia neoclássica. Rapley analisa as objeções liberais em detalhe, mas chama a atenção para a retomada dos teóricos desenvolvimentistas a partir dos pesquisadores dos modelos do Leste da Ásia e mesmo dos enfoques pós-modernos, que negam a validade de muitos dos pressupostos das abordagens anteriores, mas chamam a atenção para temas antes menosprezados como questões de gênero e preservação ambiental.

No início dos anos 70 Nixon disse que todos eram keynesianos, no Brasil talvez pudesse ter observado que todos eram e são desenvolvimentistas, tamanha a força que essas idéias alcançaram por aqui. Depois da “década perdida” de 1980 muita gente boa escreveu balanços tentando aprender com os erros do passado, como o protecionismo excessivo que favoreceu a corrupção e a ineficiência. Parte desse debate é visível na nova política industrial (ou de desenvolvimento produtivo, como é oficialmente batizada) com sua ênfase em utilizar as exportações como medida do sucesso empresarial e do acesso a benefícios.

Claro que muito da mea culpa brasileira veio do contraste entre os problemas das experiências na América Latina com os modelos bem-sucedidos no Leste Asiático. Num primeiro momento o Japão, depois a Coréia do Sul, Hong Kong, Taiwan, Cingapura. Atualmente, Índia e China, mas também merecem atenção os casos do Vietnã, Indonésia e Malásia. Penso mesmo em montar um grupo de estudos sobre o desenvolvimentismo asiático junto com os colegas da minha futura turma na Escola Nacional de Administração, porque acredito que há lições importantes a aprender no estudo do continente, e provavelmente teremos um módulo sobre economia e desenvolvimento no curso de formação.

Mais ou menos por coincidência, conversei por estes dias com uma amiga que quer cursar mestrado em administração pública e estivemos olhando, embasbacados, os programas da London School of Economics and Political Science e de Harvard. Esta última dá ênfase ao estudos em desenvolvimento internacional.

2 comentários:

glaucia disse...

OI Mauricio
Que tal se vc criasse um link para as recomendaçoes de livro que vc sempre faz. Fico anotando na agenda, mas fica tudo desorganizado. Assim quando saio em busca de algo interessante ja saberia onde procurar.
PS: parabens pelo concurso... sou das que nao acredita no serviço publico, mas admiro aqueles que tem vocaçao. Boa sorte.

Mauricio Santoro disse...

Glaucia,

Em geral coloco os links nos próprios posts, minha sugestão é que você procure de acordo com os marcadores temáticos, na coluna à direita.

Abraços