sexta-feira, 6 de julho de 2007

Cristina de Kirchner



Continuando no clima “comentários sobre candidatos à presidência, não importa qual o país”, tenho que tratar da Argentina, visto que há poucos dias finalmente foi confirmado que a senadora Cristina de Kirchner disputará o cargo, encerrando a longa especulação sobre a eventual reeleição de Néstor Kirchner.

A escolha de Cristina me deixou feliz pelo mais egoísta dos motivos: o último capítulo da minha tese será sobre o governo de seu marido. Como ele não irá mais concorrer, posso encerrar meu trabalho com a análise de todo seu mandato. É o fim que eu precisava para meu estudo.

Pensando um pouco menos com meu umbigo, a decisão de Kirchner não surpreende. Os últimos meses foram muito desgastantes para o presidente argentino: escândalos de corrupção, manipulação dos índices de inflação, a longa crise internacional com o Uruguai, protestos oposicionistas em seu feudo eleitoral na província de Santa Cruz, a derrota de seu ministro da Educação na disputa pela prefeitura de Buenos Aires (ganhou o presidente do Boca Junior), sua ausência na cerimônia do aniversário de 25 anos da Guerra das Malvinas – seguida de um ataque um tanto ridículo a Margareth Thatcher, que ninguém nem lembrava que ainda está viva. Eu jurava que ela tinha virado estátua num museu de cera.


Como seria uma eventual presidenta Cristina? Qualquer cidadão argentino tem calafrios ao pensar na transmissão da presidência por laços familiares, depois da tragédia de Isabel Perón nos anos 70. Para não falar de Evita ou de Hilda Duhalde – o peronismo parece ter afinidade eletiva com mulheres fortes, quem se lembra das primeiras-damas dos presidentes da UCR, como Frondizi, Alfonsín ou De La Rúa?

Mas Cristina de Kirchner tem força política própria, pessoalmente acho que possui mais capacidade de negociação e diálogo do que o marido. Afinal, exerceu vários mandatos parlamentares como deputada provincial, nacional e senadora. O Congresso é uma escola importante para essas habilidades, que faltam ao presidente atual.

5 comentários:

Joshua disse...

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Sergio Leo disse...

Tive de botar um controlador de visitas para me livrar desses picaretas como esse Joshua aí, Santoro. Que mala.
A cristina é tida, lá na Argentina, como mais desembaraçada no cenário internacional; quem sabe terá uma atuação mais dinâmica nas discussões internacionais, menos provinciana...
Conversei longamente com um radical, ex-governo Alfonsin, que me garante ser frágil essa maioria da Cristina, e que Kirchner, por ser muito centralizador e individualista, perderia rapidamente os aliados que tem, à menor turbulência na candidatura dela. parece wishful thinking; mas o fato é que tem muita gente na política argentina com a mão na adaga, olhando para os Kirchners e esperando que o apagão ocorra quando estiverem na mesma sala...

Mauricio Santoro disse...

Pois é, Sergio. Tinha tempo que Joshua & cia não apareciam por aqui. Espero que seja só uma visita ocasional.

Como foi sua palestra na Argentina? Vi que você esteve no CC Borges e que sua estada no país foi bem movimentada.

Os grupos que freqüentei em Buenos Aires eram bastante anti-Kirchner, mas todos davam por garantida a vitória do presidente ou de sua mulher na eleição.

Nos últimos meses, acho que esse sentimento se enfraqueceu e a oposição começou a afiar as facas e sentir o gosto de sangue na boca.

Minha dúvida - será que uma oposição tão fragmentada será capaz de desafiar o casal K? A ver.

Abraços

Patricio Iglesias disse...

Muito bom o artigo, seu blog sempre é uma exellente porta brasileira pela política argentina.
Concordo com você sobre a, como aqui dizemos, "muñeca negociadora" da Cristina. Além de ser mais conciliadora, parece uma pessoa muito mais culta do que seu marido.
Todos, opositores ou kirchneristas, estamos seguros do que va ter uma vitória! Kirchner tem o apoio da maior parte do peronismo e do "aparato punteril" da província de BsAs, fundamentáis para qualquer candidato a presidente. A oposiçäo está muito dividida: Carrió, Lavagna, López Murphy e agora, crea ou näo, MENEM!
Aqui muitos opinavam ao reves do que você: as derrotas en Capital e Tierra del Fuego (uma vitória do ARI, partido de Carrió) fazeriam o que o Néstor, com uma figura mais instalada e com melhores pontos nas estadísticas, fosse o candidato. Além disso, a eleçäo na Cidade de BsAs näo foi mal vista pelos kirchneristas: ganharam ao Telerman, aliado com Carrió, o socialismo e a UCR. Todo um a história issa eleçäo: Macri tentou se renovar usando seu nome de pila, Mauricio (sim! Como o argentinólogo!), os kirchneristas pegaram cartéis que diziam "Näo olvide: Mauricio é Macri", a candidata do Mauricio era uma mulher discapacitada, e muito mais.
Näo crea do que as primeiras damas radicáis säo pouco lembradas: a mulher do Frondizi (um radical "ultratradicional" sentiria um insulto ler que o Frondizi é chamado radical, hehe), segum ouvi, foi muito "mediatizada" por seu divórcio e a mulher do De La Rúa também é bastante conhecida. Aunque, sem dúvidas, nenhuma pode se acercar aos pies à Evita, todo um mito nacional.
Um abraço!

Mauricio Santoro disse...

Meu caro Patrício,

estou justamente escrevendo sobre os punteros da província de Buenos Aires, e de como acabaram se voltando contra o grupo político de Duhalde.

No que toca à eleiçäo portenha, concordo com vocë que a derrota de Filmus esteve longe de ser uma vergonha, ele teve bem mais votos do que eu imaginava.

O meu tocayo Macri é um caso sério, minha peça favorita da campanha dele foi uma entrevista ao La Nación em que ele citava seus livros e filmes favoritos - todos eram sobre a Ìndia. Parecia que ele concorria a chefe de governo de Calcutá, e náo de Buenos Aires.

Agora fico na expectativa da disputa presidencial. Acho que darei boas risadas com a mais recente aventura de Menem, Deus proteja a Argentina!

Abraços